Blog do Gorila

Musculação e hipotireoidismo na terceira idade



É fato que hoje em dia as pessoas estão vivendo mais. Com isso, o número das que atingem a terceira idade só aumenta. Outro fator é que elas querem envelhecer com saúde, assim recorrem à atividade física.

 

Segundo um estudo que realizamos, a prevenção de doenças crônicas em idosos é um viés para a conquista dos objetivos propostos. E entre as doenças mais frequentes nos idosos está a tireoide. Ela é uma das maiores glândulas do corpo humano e se localiza na parte anterior do pescoço, bem abaixo do chamado gogó, ou pomo de Adão, e é responsável pela produção dos hormônios T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina), que atuam em todos os aparelhos do nosso organismo.

 

 

Ainda segundo o estudo, o perfeito funcionamento dessa glândula garante a estabilização e a harmonia de nosso organismo, pois ela opera como auxiliar no desempenho de órgãos importantes como o cérebro, coração, fígado e rins. Quando essa glândula não funciona adequadamente, pode produzir hormônios em excesso, causando o hipertireoidismo, ou produzir em número insuficiente, provocando o hipotireoidismo. Entre as doenças causadas pelo mau funcionamento da tireoide está o hipotireoidismo na terceira idade.

 

 

A partir dos 60 anos, acontece com mais frequência um aumento na produção de anticorpos. Esses acabam atuando como agressores da glândula tireoidiana, causando o tireoidismo autoimune. Em muitos casos, proporcionam chance para o desenvolvimento do hipotireoidismo subclínico (HSC). Os sintomas mais comuns são cansaço, cabelo seco, queda de cabelo, pele pálida e rugosa, dificuldade em tolerar o frio, dores ou cãibras musculares, dificuldade de concentração ou memorização, depressão, sonolência, aumento de peso, entre outros.

 

 

A partir da década de 1990, a Organização Mundial da Saúde cunhou o termo “envelhecimento ativo” com o objetivo de transmitir uma mensagem mais compreensível e reconhecer que, além dos cuidados com a saúde, era necessário focar na qualidade de vida por considerar outros fatores que afetam o modo como os indivíduos e as populações envelhecem. Assim, as academias passaram a ser um importante e eficaz meio de promover a atividade física que falta na vida diária do idoso – o qual, em razão da idade e da aposentadoria, passa a ter uma vida sedentária.

 

 

Entre as atividades desenvolvidas nas academias, a musculação é uma boa aliada do idoso porque usa apenas a força do corpo para exercícios e alongamentos. A musculação é muito eficaz no acréscimo de força em idosos, porque aumenta a massa muscular magra, e na coordenação motora, devido aos estímulos neuromotores que proporciona.

 

 

Um programa de musculação bem desenvolvido pode trazer numerosos benefícios para a terceira idade, como aumento da força e da potência muscular; aumento das fibras musculares tanto do tipo I como do tipo II; diminuição dos níveis de dor e da quantidade de gordura intra-abdominal; motilidade gastrointestinal e melhoria dos fatores neurais; melhoria da densidade óssea; diminuição do percentual de gordura, dos riscos de doenças cardiovasculares, do desenvolvimento de diabetes. Consequentemente, aumenta a agilidade, a flexibilidade, a resistência e a motivação e produz melhoria da autoestima.

 

 

Como muitos dos problemas oriundos do hipotireoidismo estão entre os suprarrelacionados, podemos afirmar que a prática da musculação, além de estimular a produção dos hormônios secretados pela tireoide, também ajuda a pessoa que tem essa doença a prevenir e diminuir os efeitos causados por ela.

 

Publicado originalmente na Revista 100 Fronteiras (#134 - Out/2016).



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